sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sétimo dia de viagem – Quarta-Feira - 10/01/2012 – Cusco à Chalhuanca


Por Mírian:
Acordamos às 4:00 horas da manhã para sair bem cedo de Cusco, já que entraríamos novamente na Cordilheira dos Andes, e neste período poderíamos pegar muito frio e chuva. No entanto, como as motos estavam num estacionamento distante do Hotel, e devido ao trânsito, conseguimos sair da cidade apenas as 07:30.
A paisagem continuou deslumbrante, com as gigantescas montanhas, vales, paredões, e os rios que desciam das montanhas, que por longos trechos nos acompanham paralelamente na rodovia, como vcs podem observar nas fotos.
Mas graças a Deus nosso objetivo foi atingido, rodamos 320 km e chegamos à 13:00 horas no Hotel Fazenda Tampomayo, próximo a Chalhuanca, encravado no meio da cordilheira, num vale, com uma paisagem inesquecível, rodeado por montanhas de todos os lados, passando um rio que descia das montanhas. Lindo!
Ficamos totalmente isolados nesse lugar, sem telefone, sem internet, e sem nenhum meio de comunicação. Graças a Deus!!!
O que no início pareceu um problema, já que não tínhamos como mandar notícias aos nossos familiares, com passar das horas isso nos deu muita tranqüilidade e paz, e entendemos que o isolamento fazia parte daquele lugar. Todo o Grupo aproveitou para descansar, afinal estávamos com sono atrasado de duas noites que dormimos por apenas 4 horas.
Por conta da ausência de net, só agora estamos postando este relato.
Beijos a todos!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sétimo dia de viagem – Terça-Feira - 10/01/2012 – Enfim Machu Pichu!

Sétimo dia de viagem – Terça-Feira - 10/01/2012 – Enfim Machu Pichu!
Hoje acordamos cedo (03h00min) pois precisávamos pegar o ônibus que nos levaria para Ollantaytambo (2 horas) de onde pegaríamos o trem para Aguas Calientes (1 hora) e dali um novo ônibus para Machu Pichu (40 min).
No primeiro trecho eu e a Mirian desmaiamos! Estávamos mal dormidos e cansados, e como ainda era noite aproveitamos as quase duas horas de viagem para descansar.
No segundo trecho, até Aguas Calientes tivemos a oportunidade de apreciar as imensas cordilheiras da região. O trem percorre todo o trajeto ao lado de um rio que confesso ter esquecido o nome. O passeio é muito interessante e depois de quase duas horas chegamos a Aguas Calientes, um vilarejo muito aprazível com dois rios cortando seus limites. Aproveitamos para fazer um lanche e depois de alguns minutos pegamos o ônibus que nos levaria a Machu Pichu.
Já durante a subida pudemos perceber a nossa insignificância perto das Obras Divinas que nos circundavam. Montanhas altíssimas, rios formados com água de degelo de montanha e uma vegetação as vezes baixa e as vezes exuberante. Magnífico!
Após o desembarque e os tramites de ingresso no parque arqueológico (alias tudo muito bem organizado!) iniciamos o nosso passeio.
O lugar é simplesmente maravilhoso! A gente se sente muito pequeno perto da grandiosidade do local. As construções, as canaletas de água que perduram até hoje, a paisagem ao redor, a tecnologia usada pelo povo que ali viveu nos faz refletir sobre a nossa tecnologia. Apenas um exemplo: na época dos Incas eles desenvolveram aproximadamente 4500 espécies de batata, e certamente não eram transgênicas!
Andamos por todo o local e almoçamos no restaurante do parque. Depois do almoço eu e Mírian resolvemos voltar para Cusco, tendo em vista que o nosso trem seria o ultimo a sair de Aguas Calientes, as 19h00min e pela nossa conta chegaríamos mais de 23h00min no hotel. Diante do fato de que amanha teremos que pegar a estrada cedo, entendemos por bem em adiantar o nosso regresso ao hotel.
No entanto, como nem tudo é perfeito, tivemos que comprar outro traslado de Aguas Calientes para Ollantaytambo e depois Cusco, pelo valor de $ 75 por cabeça, ou seja, gastamos 150 dólares apenas para voltar para o hotel.
Gostamos muito de Machu Pichu, mas no nosso entendimento já tínhamos visto o que queríamos ver e diante do inexorável fato de termos que acordar cedo no outro dia, decidimos literalmente comprar o nosso descanso. Valeu a pena!
Descemos em um trem de outra empresa, com um serviço de bordo diferenciado que teve até apresentação de danças típicas. Gostamos muito!
Amanha seguiremos para Chalhuanca, a 320 km daqui e deveremos passar no ponto mais alto da viagem.
Pra falar a verdade eu já estou agoniado para andar de moto novamente!
Um cidade histórica como Cusco merece pelo menos uns 10 dias para que se possa conhecer efetivamente todo o seu potencial turístico e como o nosso tempo aqui já foi eu to querendo mais é pegar a estrada!
Gostaria de fazer um registro em relação à família do Dr. Oscar de Jauru e toda a sua família. Tem sido um prazer estar nesta viagem com vocês. A animação da Sra. Lana é contagiante (a Mirian fala o tempo todo: _ Nossa, como ela é animada!) e é muito gratificante ver como seus integrantes se tratam de maneira tão carinhosa. Assim que as famílias deveriam e devem ser!
Imaginem vocês que a intrépida Sra. Lana encontrou uma falha nos chamados trabalhos perfeitos dos Incas. Vou postar daqui a pouco a foto para comprovar tal assertiva.
Um beijo para toda a família Velasco, vocês são especiais!
Agora eu e a Mirian vamos arrumar a carga do nosso Bitrem (apelido da nossa motocicleta...culpa do Carlão e do Rogério).
Beijo Grande e fiquem com Deus!

Sexto dia de viagem – Segunda-Feira - 09/01/2012 – City Tour em Cusco e Jantar Peruano.

Sexto dia de viagem – Segunda-Feira - 09/01/2012 – City Tour em Cusco e Jantar Peruano.
Hoje tivemos a manhã livre sendo que após o almoço fizemos um city tour pela cidade.
Caia uma chuva fina e intermitente, mesmo assim percorremos os principais pontos históricos da cidade, começando pela catedral principal (Arzobispado Del Cusco). Simplesmente deslumbrante! Uma pena que não se pode fotografar em seu interior.
Depois fomos para o Convento de Santo Domingo Del Cusco, mais conhecido como Qorikancha e finalmente passamos por vários parques históricos (Saqsayhuaman, Pukapukara e Tambomachay.
A noite fomos brindados com um jantar típico peruano, em um restaurante perto da Plaza de Armas.
Gostamos muito da comida, e voltamos cedo para o hotel, pois no dia seguinte iríamos conhecer a famosa cidade sagrada de Machu Pichu.
Boa noite e fiquem com Deus!

Gostaria apenas de acrescentar que apesar de não ser católica fiquei deslumbrada com a Catedral de Cusco pela grandiosidade da obra construída em estilo barroco durante a colonização espanhola, por volta do ano de 1.200, sendo utilizados os blocos de pedras retirados das cidades Incas, destruídas pelos espanhóis durante a invasão da cidade de Cusco. Na catedral estão expostas diversas pinturas, cada uma de aproximadamente 16 m2 cada, que apesar de encomendadas pelos Bispos católicos têm forte influência da cultura Inca, e muitas apresentam mensagens subliminares, já que foram pintados pelos artistas da época que mesmo catequizados ainda mantinham sua cultura.
O que mais me chamou a atenção na Catedral além da história e arquitetura foi um de seus altares com mais de 15 metros de altura e 12 metros de largura, todo entalhado em madeira e coberto por lâminas de ouro. Antes de deixarmos a catedral eu e Gustavo fizemos uma oração. Emocionante!
Beijos a todos, fiquem com Deus!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Quinto dia de viagem - domingo - 08/01/2012 - Puerto Maldonado a Cusco/Peru – 520 km


Estavámos ansiosos por esse dia da viagem, finalmente sairíamos de uma altitude de aproximadamente 600 m para 4.870 m, passando pela Cordilheira dos Andes, e sofrendo uma redução brusca de temperatura.
Particularmente esse era o trecho que nos preocupava, pois o frio extremo é algo que não estamos acostumados no nosso velho Mato Grosso.
Até na hora de sairmos persistiam as dúvidas: colocar ou não maior proteção de frio, usar ou não capas de chuva e luvas impermeáveis, pois a informação que tínhamos é que a temperatura poderia chegar a 5 graus em poucos quilômetros devido a altitude, e não teríamos lugares para trocar de roupas, mas estávamos saindo de uma temperatura de 32 graus!!!
Entendo que tomamos algumas decisões erradas. Eu (Mirian) por exemplo sai do hotel com uma segunda pele para frio extremo e durante os primeiros 200 quilômetros cheguei a passar mal de calor. O Gustavo colocou a segunda pele na calça e suou tanto que encharcou a calça e a bota. Nossa roupa de inverno pesou muito e tirava nossa mobilidade, era difícil até para subir na moto, e quando começamos a subir acrescentamos ainda a capa de chuva já que esta era iminente.
Passamos por um vilarejo chamado Marcapata, a 3100 metros de altitude onde estava havendo uma comemoração que não entendemos bem o que significava (ficamos sabendo depois que se tratava de entrega de maquinário pela prefeitura local), mas podemos observar a população daquele lugar, que mesmo com chuva e frio se reuniam numa praça, as mulheres na maioria de saias, tranças nos cabelos, agasalhos coloridos, sandálias de couro no pé e chapéu para proteção da chuva.
As crianças muito mal cuidadas para nossos patrões, mas muito curiosas e sorridentes. Parecia que o tempo não havia passado por aí, nos sentimos em outro mundo, num filme talvez. Ficamos tentando imaginar como aquelas pessoas sobrevivem naquelas condições de pobreza e temperatura, que no inverno chega a 10 graus negativos.
Foi nesse local que tomamos o chá de coca para nos aquecer e evitar as sensações das altitudes que são tonturas, falta de ar, lentidão dos movimentos, dor de cabeça, dor na nuca e em algumas pessoas até vômitos.
Além do chá pela primeira vez masquei a folha da coca, achei muito amarga, mas se era para evitar todas aquelas sensações, achei por bem permanecer com aquela bola de folha no canto da boca.
Saímos de uma temperatura de 26 graus (altitude aproximada de 1.500 m) e atingimos o ponto mais alto (4.741 m de altitude no nosso GPS) numa temperatura de 6 graus, isso em mais ou menos 40 minutos, e percebemos que toda a roupa realmente era necessária, pelo menos pra mim, que senti frio apenas nas mãos, mesmo estamos com luvas impermeáveis e térmicas. Mas o Gustavo continuava suando com toda aquela roupa, mesmo na temperatura mais elevada.
Mesmo com o frio intenso e com a chuva que mesmo leve era constante (o que dava uma sensação térmica ainda menor), a viagem foi deslumbrante, a paisagem é inesquecível e indescritível! Tiramos muitas fotos e fizemos vários filmes, mas a impressão que tínhamos era que nas fotos não expressavam toda a grandiosidade daquele lugar.
As montanhas são gigantescas, imponentes, e em vários pontos derramavam cachoeiras que se encontra com rios de águas cristalinas e cheios de pedras. Em alguns trechos o a fluxo de água que desciam das montanhas seguia paralelamente a rodovia, deixando a paisagem da cordilheira ainda mais deslumbrante.
Durante todo o percurso, nos lugares mais ermos, altos e que pareciam inacessíveis era possível observar casas de moradia, geralmente de pedras e com criações de ovelhas ou lhamas
Paramos no ponto mais alto, Passo Abra Pirhuayani (4725 metros de altitude), e ao descer das motos algumas pessoas passaram mal, inclusive eu. Tive falta de ar e tontura, mas aos poucos fui me recuperando, com a ajuda e os carinhos do meu amado. Obrigada meu amor, te amo!
Várias crianças foram ao nosso encontro pedindo dinheiro (uma propinita), e como já tínhamos observado antes, em situação de extrema pobreza. Uma dessas crianças nos ofereceu truta assada com batatas, que estava muito saboroso, e que nós ajudou a nutrir, já que estamos apenas com o café da manhã, apesar de não termos a sensação de fome, que foi tirada pelo chá e pela folha da coca.
Essa refeição, no ponto mais alto foi fantástica, uma sensação de estar vivendo realmente uma aventura, de estar realizando um sonho, um momento mágico, uma conquista!
Na descida a temperatura foi aumentando novamente, acabamos levando aproximadamente 13 horas de viagem e chegamos em Cusco já havia anoitecido, aproximadamente 20:00 horas.
Tivemos alguns problemas com o hotel que era muito ruim, mas como nosso guia ainda não havia chegado (estava acompanhando o carro de apoio), tomamos um banho e fomos comer alguma coisa na Praça de Armas no Centro da Cidade, afinal tínhamos tomado apenas café da manhã e comido a truta com batatas. Mas assim que chegou nosso companheiro Braulio tratou que providenciar outro Hotel imediatamente, e dormimos com muito conforto no Hotel San Agustin.
A nossa única chateação, que ainda não superamos, foi que durante o percurso, quando fomos colocar as capas de chuva, talvez já atordoados pela altitude, perdemos nossa câmera onde eu tiro fotos e filmo em cima da moto, e com isso perdemos esse material. Mas não será isso que estragará nossa viagem.
Abraço a todos e um beijão especial para nossos filhos Amanda, Guilherme e Ana Beatriz. Fiquem com Deus.


Algumas palavrinhas pelo Gustavo:


Oi Pessoal, gostei muito do relato da Mirian que reflete bem o espírito da nossa viagem, mas mesmo assim gostaria de fazer alguns apontamentos sobre as minhas impressões. Acho que assim vai ficar até mais legal, pois teremos o relato sob duas óticas.

Neste trajeto, como já foi relatado acima, eu simplesmente encharquei a minha bota com o meu suor...impressionante o calor que fez, mas também a culpa era minha, uma vez que coloquei uma roupa pro frio das altitudes e não daquele calor infernal.

Durante o trajeto passamos por vários vilarejos, equivalentes a acampamentos de sem terra no Brasil, e depois fiquei sabendo que eram pessoas em busca de ouro e madeira...as condições de vida destas pessoas eu nem vou perder tempo relatando...vocês já devem ter uma noção...
A estrada pra variar era muito boa e permaneceu assim durante todo o trajeto, até que chegou o momento mais esperado por mim: a tal subida e as curvas cotovelo!!!
Para quem gosta de dirigir esta estrada é o paraíso! Curvas, curvas e mais curvas...vales, pontes sobre rios maravilhosos, cachoeiras lindíssimas e uns paredões que nos intimidavam, pois você olhava pra cima e virando sua cabeça até o final ainda não conseguia enxergar o pico!
A Floresta era simplesmente fantástica. As veze de um lado só da rodovia, as vezes dos dois...intocada, onipotente, sublime!
Eu estava com tanto calor que nem queria colocar as roupas de chuva, mas esta era a medida correta, pois em menos de 60 km saímos de 600 metros de altitude para quase 5.000!
Nesta subida mais íngreme pegamos chuvisqueiros e em alguns lugares as águas que desciam cruzavam a estrada. Por cima da estrada!
Pode parecer até bonito a idéia de cruzar águas sobre as estradas e até um tanto quanto aventureira, mas a verdade que estas águas criam um limo, um lodo mesmo no concreto e dois amigos acabaram caindo em uma dessas travessias. Graças a Deus nenhum dano! E seguimos viagem.
A temperatura despencou e no ponto mais alto eu cheguei a tirar o capacete, a balaclava e as luvas...pra mim não estava tão frio assim, pelo menos não com toda aquela roupa.
O nosso grande companheiro, o intrépido Dr. Oscar Velasco (de jauru) providenciou uma truta maravilhosa, com batatas (assadas na pedra) feita por moradores daquela região inóspita...comemos o estoque de trutas deles, ao preço de 10 solles cada...
Tinha uma turminha mais enjoada na viagem, muito preocupados em não comer isso, em não beber aquilo mas que quando viram a truta entraram literalmente de boca! Rachei de rir! Quando a fome bate na porta a frescura pula a janela! kkkk
A descida também foi igualmente maravilhosa, e tivemos o prazer de termos um pôr-do-sol andando de moto nas cordilheiras do Peru! Maravilhoso mesmo.
A nossa fiel companheira, BMW GS 1200 ADVENTURE 2010 está se mantendo firme na viagem e já ganhou o carinhoso apelido de Bitrem, pois de longe é a moto mais pesada de todas.. O duro é agüentar o Carlão Velasco e o Rogério Pimenta me mandarem parar nas balanças das estradas para fazer a pesagem!!!!kkkkk Isso é legal e eles tem sido grandes companheiros de viagem.
Ontem nos encontramos com as mulheres que vão seguir de Cusco a Lima conosco. O Grupo enfim está completo!
O Frio não me incomodou tanto, mas a Mirian sentiu bastante. Chegamos em Cusco a noite e depois de nos instalarmos no Hotel fomos jantar...aproveitei para tomar um Pisco. Em Roma como (ou coma?rs) os Romanos!
Devido a precariedade do primeiro hotel fomos forcados a mudar para outro, muito diferente! Estamos bem instalados e com muito conforto.
Faremos hoje um city tour logo após o almoço.
A cidade respira história e depois postaremos mais impressões. Devo mandar fotos hoje também.
Ainda acho que vamos encontrar a nossa câmera! Que Deus nos ajude.
Até mais e fiquem com Deus!


domingo, 8 de janeiro de 2012

Quarto dia de viagem – Rio Branco/AC até Puerto Maldonado/Peru



Hoje acordamos cedo para o quarto dia da viagem...o dia que finalmente entraríamos no Peru!

Já na saída de Rio Branco (aproximadamente uns 35 km) pegamos uma chuva torrencial, que depois ficaríamos sabendo que não nos abandonaria no decorrer do dia. Foi uma boa prova para testarmos nossas roupas impermeáveis (que nem são tão impermeáveis assim, como descobrimos...rsrsrs) pois amanha chegaremos ao ponto mais alto da viagem e por conseguinte o mais frio, e temos que nos cuidar para não nos molharmos no inicio da subida e depois ficarmos exposto ao frio com o corpo úmido.

Viajamos debaixo de chuva por vários quilômetros até chegarmos na divisa com o Peru.

Do lado nacional foi muito tranqüilo para carimbarmos o passaporte e “pularmos” para o outro lado, chegando finalmente no Peru.

No entanto os tramites de “imigracion” nos foram por demais cruéis, pois ficamos por mais de 5 horas para darmos entrada em nossa documentação, assim como das motos (o processo mais demorado, pois era feito por um único funcionário que sequer sabia digitar no computador).

Quando 17 motos estão na estrada o pior que se pode fazer é condená-las a ficar paradas e foi isto o que aconteceu hoje. Todos estávamos ansiosos para entrar nas estradas do Peru mas o procedimento simplesmente não avançava...

No final do dia uma parte do grupo que havia ficado em Rio Branco para arrumar duas motocicletas no alcançou, o que nos trouxe alivio e felicidade afinal não queríamos que os nossos amigos deixassem de completar a aventura de moto, ou quiçá sequer completassem.

O grupo entendeu por bem em avançar pois já eram quase 17h00min e se pegássemos a estrada a noite e com chuva tudo ficaria mais difícil e assim fizemos.

Desta vez tomei uma atitude diferente, pois deliberadamente fui ficando pra trás, quase sem querer...deixando o grupo sair...moto a moto eu e a Mirian ficamos na nossa solidão sobre duas rodas.

Já na entrada do Peru podemos perceber a nítida diferença dos países...asfalto perfeito, vegetação muito mais preservada, sinalização horizontal, vertical e....uns 40 quebra molas em um trecho de menos de 150km!

A perfeição do asfalto e a grandeza de algumas obras a margem da rodovia contrastavam com a pobreza contundente que se desenhava a cada povoado que passávamos. Construções precárias demais, casas pequenas demais, pessoas sofridas demais.

Apesar deste contraste as crianças nos acenavam com uma felicidade radiante nos olhos e quando o aceno era respondido por nós (e sempre os acenos foram respondidos!) os gritos dos pequenos peruaninhos invadiam o silencio de nossos capacetes e ficávamos também extasiados com aquela situação. Um simples aceno causava tanta felicidade...será que poderíamos fazer mais por eles?

Se começarmos a pensar nesta desigualdade a gente acaba pirando...mas é necessário refletirmos sempre sobre a necessidade destas pessoas e ver o que nos sobra, o que pode ser partilhado, o que podemos fazer para que de alguma forma ajudemos a diminuir esta diferença, esta desigualdade.

É difícil falar sobre isso...a gente acaba indo longe demais...voltemos a viagem!

Como disse em linhas acima, de propósito fiquei para trás no grupo e por mais de 200km eu e a Mirian curtimos um passeio simplesmente maravilhoso...a chuva, apesar de nos rondar deu uma trégua e no final do dia tivemos um por do sol maravilhoso.

Por vários momentos ficamos sozinhos na estrada...selva amazônica intocada dos dois lados, arvores enormes, cheiro de chuva e os olhos no horizonte...esta solidão a dois na motocicleta em um local como o Peru é maravilhosa...a gente se conecta com uma energia diferente e de alguma maneira reza para que este sentimento não se acabe...

Nas viagens de moto os instintos trabalham de maneira diferente e durante alguns anos sonhei com uma viagem como essa...hoje foi o inicio da realização deste sonho, pois somente em terras peruanas encontrei o que estava buscando...a paisagem perfeita, o momento perfeito, o horário perfeito e olha que esta somente começando.

O melhor de tudo é poder estar, nesta viagem perfeita, também com a companhia perfeita.

Isso faz toda a diferença, pois sabemos valorizar cada pingo de chuva, cada curva que vencemos, cada paisagem que fica gravada de maneira indelével em nossas memórias...um beijo para o meu amor, que sabe dar valor a tudo que fazemos juntos. Te amo!

Pode ser que não consigamos tirar fotos de tudo que queríamos para mostrar para os nossos amigos, mas as imagens que presenciamos hoje jamais serão esquecidas.

Hoje fiquei pensando o tanto que eu gostaria que meus amigos estivessem comigo nesta viagem, pois a medida que a moto ia avançando eu imaginava cada um deles comigo, e por um momento eu tive a nítida sensação que eles estavam, pois eu os levava no coração que é lugar onde devemos guardar quem nos são queridos e amados. Lembrei de quase todos, em cada curva eu lembrava de uma pessoa, de um amigo, de um acontecimento que envolvia as amizades especiais que possuo...e quando acabou os 200km de curvas eu pensei: _mas já? Ainda não lembrei de todos meus amigos!

Amanha partiremos para Cuzco...teremos 550km de curvas...saíremos de pouco mais de 280 metros para quasse 5.000 metros de altitude.

A viagem deve durar 12 horas.

Vou levar novamente todos os meus amigos e começar novamente a lembrança...acho que agora o tempo vai dar para lembrar de todos...mas...e se faltar curvas?

Beijo grande para todos e fiquem com Deus!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Segundo dia de viagem...pelos olhos da Mírian....

O percurso programado para hoje – Vilhena/RO à Porto Velho/RO – 702 km

Saímos do hotel as 07:30 embaixo de chuva e neblina, mas o que parecia um dia fresco e úmido em poucos quilômetros se transformou num dia muito quente, e acabamos sofrendo bastante com o calor. Somente após chegarmos no hotel em Porto Velho, aproximadamente às 18:00 horas, foi que vimos a chuva tão desejada durante todo o dia.

Tivemos alguns transtornos hoje, primeiro com a moto do Bráulio (V Stron 1.000) e depois um problema mais grave com a moto do Antonio Soutes (BMW GS 1200), e até o presente momento ainda não sabemos se ele continuará na viagem com a moto, mas estamos torcendo para que dê tudo certo.

Eu gostaria de registrar nesse blog algumas impressões femininas durante a viagem, já que muitas pessoas tem me perguntado sobre a razão da viagem, o desconforto da motocicleta, as intempéries do clima, a bagagem extremamente reduzida para uma mulher, o programa em tese masculino, etc...

Primeiramente é interessante dizer que apenas eu e minha amiga Luciana, esposa do nosso amigo Dean, somos as únicas mulheres que farão o percurso todo (9.000 km) em moto. Ainda se juntarão a nós durante uma semana, mais três mulheres dos nossos companheiros de viagem.

Ontem pela manhã quando um repórter da TV Centro América me perguntou sobre o que eu sentia em ser uma de apenas duas mulheres que fariam todo o percurso de moto, confesso que não soube responder.

Sinceramente jamais pensei que estava fazendo algo de extraordinário, isso porque desde que decidimos fazer a viagem nos preocupados em estar com todos os equipamentos necessários (roupas impermeáveis, capas de chuva, roupas com forros para o frio, botas impermeáveis, capacetes apropriados, etc) para enfrentar os “inconvenientes” da viagem como a chuva, o calor e o frio, e também estar com uma motocicleta que nos desse conforto.

O planejamento da viagem foi uma etapa essencial para nos dar confiança quanto ao que enfrentaríamos e como poderíamos nos proteger, ou seja, a segurança em primeiro lugar e depois o conforto. Porém uma vez vencida esta etapa, mesmo sendo mulher, não haviam mais preocupações, e a ansiedade era apenas de iniciarmos o passeio, e vivenciar momentos mágicos e históricos, como por exemplo passar por Machu Picchu e Nasca (Peru), Lago Titicaca (Bolívia), e ainda assistir a final do Rally Dakar.

Além disso, todos os preparativos e expectativas foram vividas por mim e pelo Gustavo de maneira muito intensa. Então a viagem passou a ser também romântica, fortalecendo nossa união, aumentando nosso companheirismo, nossa admiração recíproca, e enfim o prazer e vivermos juntos.

Se tudo isso ainda não bastasse, ainda é preciso dizer que nossa motocicleta - uma BMW GS Adventure 1.200 - é muito confortável, e somente para resumir eu chego a dormir durante a viagem, mas sempre com o cuidado redobrado do meu amado.

Portanto, após refletir, sinto que minha presença e da Luciana durante todo o percurso significa uma quebra de conceitos. Conceito de que mulher é frágil, de que viagem de moto é perigosa, que moto é desconfortável, que moto é coisa de homem, etc.

A viagem de moto é maravilhosa! Vivenciamos sensações que não temos numa viagem de carro por exemplo. Na moto fazemos parte da paisagem, sentimos na pele a ação do clima, sentimos os aromas das árvores, plantas e flores, contemplamos a paisagem de um ângulo muito próximo.

E como mulheres descobrimos que somos felizes com muito pouco, sem maquiagem, sem perfumes, sem calçados (apenas um tênis básico), poucas peças de roupas, sem jóias, etc...ou seja, é também um desapego material. O que importa é a companhia, e viver.

Para encerrar, vou citar a frase que está estampada na nossa camiseta de viagem, de autor desconhecido: “Quem nunca viajou de moto não sabe o que é viajar”

Boa noite a todos, vamos dormir que amanhã temos 500 km pra andar até Rio Branco. Abraços

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Agradecimentos especiais...

Obrigado de coração ao Gean Balduino, Daltinho, Alessandro e Rubens...amigos do Motoclube Cavaleiros do Sol que foram até Pontes e Lacerda para almoçar conosco...este companheirismo faz toda a diferença...
Obrigado ao Joaquim de Jauru que apareceu por lá também...
Abraços e fiquem com Deus!